interatores

uma rede de profissionais de meios digitais

O contraste entre a ampla liberdade de expressão nos meios online - apoiada na enorme dificuldade de controle sobre o que circula na rede - e os instrumentos legais e dispositivos de regulamentação da mídia tradicional representa um problema ou um progresso?

A resposta a essa questão delimita o nível de importância que se dará à decisão agendada para este 1º de abril, dia em que o Supremo Tribunal Federal deverá definir o futuro da Lei de Imprensa e possivelmente do diploma de Jornalismo.

A lei, que é tida como entulho autoritário (quem diria, essa velha expressão ainda cabe), regulamenta a atividade da imprensa, mas ainda guarda resquícios dos tempos de exceção, embora muitos deles tenham sido suspensos pelo próprio STF no ano passado.

Se a lei atual é considerada inócua há muito tempo, será que uma nova legislação regulatória ainda será respeitada num mundo em que o acesso à informação migra aceleradamente para os meios digitais? Que regras teriam aceitação numa sociedade que adquire rapidamente novos hábitos, que recria e distribui os conteúdos e é capaz de inverter a mão dos direitos (?) autorais?

Assim como a essência da lei de imprensa foi incorporada à constituição de 88, a regulamentação do que transita na rede e a garantia dos direitos individuais será garantida não por uma lei, mas por um sentido ético que seja dominante na sociedade. E isso exige uma maturidade coletiva que pode estar ainda distante, mas este é um caminho que a internet ajuda a encurtar.

Os instrumentos de autorregulação, já consagrados na publicidade e no trabalho dos poucos ouvidores e ombudsmen da imprensa, também estão presentes na internet e à disposição da audiência por intermédio de gestão de reputação de usuários da rede e eleição de relevância de conteúdos. Porém, esses mecanismos por si só são impotentes para evitar danos deliberados aos direitos das pessoas, mais patrulham do que estabelecem níveis aceitáveis de convivência. A sociedade precisa ser capaz de aplicar seus conceitos éticos ao fluxo impressionante de informação que transita na web. De qualquer forma, os excessos são quase sempre melhores do que a censura. A liberdade realimenta a liberdade.

Acredito que a internet numa sociedade democrática possa ajudar a melhorá-la, a fomentar o livre trânsito das idéias, a estimular a colaboração e a fraternidade, a aceitar e respeitar o outro, a apoiar as lutas justas e criar as condições para que a verdade prevaleça. E isso, no fim das contas é o que se espera do bom jornalismo.


::: Leia também, a propósito disso: No mundo online, você vai ter que andar na linha

Compartilhar 

Adicione um comentário

Você precisa ser um nenbro de interatores para adicionar comentários!

Entrar nesta rede social

Janaína Camara da Silveira Comentário de Janaína Camara da Silveira em 1 abril 2009 às 3:23
Repetir um mantra seria, de alguma forma, seguir algum tipo de crendice feudal? Se for, eu não posso repetir. Foi mal
:p
Alec Duarte Comentário de Alec Duarte em 1 abril 2009 às 3:10
Repeat after me: o ato de apurar/analisar/difundir notícias é direito fundamental da pessoa.

Ótimo txt.
Janaína Camara da Silveira Comentário de Janaína Camara da Silveira em 1 abril 2009 às 2:25
Falando em sociedade, lembrei agora da divisão criada por audiência e profissionais que separa jornalistas e blogueiros, ou mídias tradicionais (ainda que em versões online) e blogs.

Claro que há diferenças entre o fazer uma reportagem e publicar um post - ou não, isso vai do autor e do estilo do blog. Mas o que eu gostaria de dizer, antes de totalmente me perder, é que com ou sem diploma de jornalismo, na internet me parece que há uma separação enorme em relação a quem é jornalista ou blogueiro, fomentada pelos próprios veículos. E uma divisão enorme para o trabalho do jornalista quando este faz reportagem e quando este publica no blog.

E muitas vezes eu superdiscordo desta divisão. Se a linguagem e a forma como se apresentaçam os temas mudam nos blogs, nos quais pode haver um caráter mais opinitivo, ainda assim estão envolvidas questões morais e éticas de quem assina. Pra falar a verdade, não tenho tanto apego à obrigatoriedade do diploma.

Sobre

Sérgio Lüdtke Sérgio Lüdtke criou esta rede social no Ning.

Badge

Carregando...

© 2009   Criado por Sérgio Lüdtke no Ning.   Crie Sua Rede Social

Badges  |  Relatar um incidente  |  Privacidade  |  Termos de serviço