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Sérgio Lüdtke

60% do jornalismo investigativo é financiado por fundações, não pela mídia

O dado apresentado pelo jornalista Mark Hunter, fundador do Global Investigative Journalism Network, no estudo Global Trends in Investigative News Media, compromete ainda mais o discurso temeroso da indústria da mídia de que a superficialidade do CGA (conteúdo gerado pela audiência) possa fazer sucumbir o bom jornalismo representado por ela própria, a indústria.

Cheguei a essa apresentação depois de ler um interessante texto publicado no EditorsWebLog.org, Looking at the future of news at the OECD. Nele, Hunter ressalta a importância de instituições como o Greenpeace e cita o caso da Exxon como um bom exemplo de jornalismo investigativo feito longe dos modos convencionais de captação.

Em tempo: o dado se refere ao mercado americano.

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Hélio Sassen Paz Comentário de Hélio Sassen Paz em 30 julho 2009 às 13:23
Infelizmente, no Brasil, o jornalismo investigativo por parte da mídia corporativa é seletivo e incompleto, pois defende sobremaneira os interesses mercadológicos dos patrocinadores da indústria da mídia de massa. Nunca considerei isso mau caratismo por parte da maioria dos profissionais e é óbvio que tanto editores como repórteres e colunistas possuem uma visão de mundo tão semelhante a ponto de, muitas vezes sem preconceito nenhum e sem uma ordem expressa do "aquário", ignorarem uma série de questões e aceitarem como verdade e como padrão a agenda que vem de cima para baixo por força do hábito.

Nesse aspecto, quando falamos em Folha, Abril, Globo, RBS, Estado e outras menos votadas, há uma preocupação menor com a cidadania e com uma série de pequenos fatos edificantes quando se exaspera o peso e a importância da política partidária e quando há uma gigantesca incompreensão a respeito de informações colhidas junto a especialistas em n áreas do conhecimento: como na maioria das vezes consulta-se as mesmas fontes, a opinião acaba tornando-se hegemônica, pois a facilidade de acesso a um determinado conjunto de fontes em especial torna a visão oferecida como se fosse ou a única disponível, ou a melhor, sem nenhum contraponto.

Nesse ponto, defendo a educação para o discurso midiático nas escolas e a instrumentalização técnica (celular com câmera, internet banda larga gratuita nos telecentros e uso fluente de mídias sociais) de pequenas comunidades. Dessa forma, a mídia corporativa teria que aprender e se adaptar a uma forma mais humilde e muito mais atenta de trabalhar.

A publicidade, tão criativa mas com um modus operandi muito semelhante ao do jornalismo brasileiro em geral, também padece da megalomania da gastança na produção quase cinematográfica de muitas peças veiculadas na mídia de massa. A falta de visão da periferia e a falta de conhecimento acerca da sustentabilidade (que só é pauta relevante em suplementos especiais eventuais nos jornais e possui revistas e programas de TV a cabo hipersegmentados) em função do fato de a esmagadora maioria dos profissionais de Comunicação virem das classes A e B também impede que essa questão se torne amplamente pública e fomente uma discussão social relevante, com reflexos diretos na economia, na política e na educação.

Da mesma forma, acho que há muito espaço para trabalhar fora das corporações a partir de patrocínios e de parcerias. A investigação plena e a independência nas pautas é uma questão crucial para a qualidade e para a credibilidade do jornalismo e também da publicidade. O problema é que não existe nenhum preparo do comunicador para o empreendedorismo: não aprendemos noções importantes de Direito, Administração, Contabilidade e Psicologia Social nas faculdades.

A técnica da produção é facílima de se aprender e ensinar. Porém, a reflexão acerca da função social da atividade é feita com maior seriedade e profundidade apenas na pós-graduação. Considero esse problema muito sério.

[]'s,
Hélio
GABRIELA MAFORT Comentário de GABRIELA MAFORT em 21 julho 2009 às 3:29
Isso é mesmo verdade, Sergio. Acompanhei uma palestra no Congresso da Abraji - associação brasileira de jornalismo investigativo que tratava do tema. Tem muita ONG - inclusive formada pelos próprios jornalistas e leitores por trás dos financiamentos. E Universidades também.

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